Day: September 11, 2018

Um desporto que prioriza a fome dos adeptos (e dos milhões) em detrimento da saúde dos atletas é um desporto sem futuro

O adepto vive o futebol e não passa sem ele. Quer cada vez mais jogos, mais competições, mais espectáculo. Quer jogos à quarta e ao sábado, semanalmente. Quer cada vez mais porque o espectáculo do jogo lhe alimenta a alma e o faz esquecer dos problemas do dia-a-dia. Mas o adepto não corre.

Em 2016 tornou-se na primeira atleta muçulmana-americana a usar um hijab nos Jogos Olímpicos, ganhando o bronze. Dois anos depois, conta como foi marginalizada pela própria equipa

Verão de 2016. Jogos Olímpicos do Rio. Ibtihaj Muhammad torna-se na primeira atleta muçulmana-americana a participar nos jogos olímpicos usando um hijab. A juntar a isto, alcança mesmo a medalha de bronze em sabre de equipas, para gáudio do povo americano. Feito histórico, sinal de que cada vez mais a diversidade é vista como algo natural num mundo de constantes migrações, e de que a discriminação racial faz parte do passado. Era bonito, mas a realidade dos factos não é esta: quem o revelou foi a própria atleta, numa entrevista ao The Guardian.

“As pessoas querem que o desporto as entretenha, não que as eduque sobre problemas sociais”. Perceba como combater esta ideia, numa entrevista com o novo modern man of distinction

Há quem diga que o desporto é união, partilha e comunhão entre comunidades que raramente vemos juntas no cenário do dia-a-dia. Talvez por isso seja comum ouvirmos que o desporto tem a capacidade para mudar a sociedade, hipótese que não parece descabida tendo em conta as audiências. Paradoxalmente, muitos acusam o desporto de estar atrasado em relação aos restantes meios da sociedade.

“O próprio deficiente ainda tem uma mentalidade retrógrada. É o reflexo da sociedade”. Teodoro Cândido, jogador de andebol em cadeira de rodas da APD Lisboa

Teodoro Cândido tem 64 anos. Sensivelmente a meio do percurso, aos 32 anos, teve de enfrentar um dos maiores desafios da sua vida. Tudo começou por ser apenas uma ferida no dedo do pé, que passado vários meses lá permanecia. Mais tarde, descobriu que sofria de doença arterial periférica oclusiva…

Porque é que as mulheres ainda são desvalorizadas quando falam de futebol? Tenho um palpite: interpretação errada do significado de uma amostra que está a mudar

Não me interpretem mal. O Mundial de 2018 terminou e este tem, sem dúvida, sido o mundial da emancipação feminina no que ao futebol diz respeito. E ainda bem. Tanto por cá, como lá fora, foram muitas as repórteres e comentadoras que fizeram parte deste mundial, muitas delas que vivem o futebol dia-a-dia, sendo jogadoras, treinadoras ou jornalistas desportivas desde há muito.